quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Há uma linha que nos separa

Qual é o limite para uma mulher passar a ser apelidada de galdéria, fácil, oferecida?

Se um homem flearta, brinca, diz umas graças; é até charmoso e merece o respeito dos seus pares. Mas e se for uma mulher?

Pelas do mesmo género de certeza que não é apelidada de mulher profissional e de respeito. E qual é a visão dos homens? Passou para fácil, carente e que só quer uma coisa que eles sabem e tanto pensam? Há volta da mesa do café, do almoço ou sempre que se reúna mais que um é motivo de risadas. Umas escondidas outras menos. Criando por vezes uma espécie de clube cujo objectivo é conseguir mais uns minutos de boa disposição à custa da outra que nem sonha ser o motivo de tanto sururu.

Quando é que se passa a linha do respeito por nós, para o desrepeito com que nos vêm? Ou somos todos iguais ne isto é uma visão dos géneros no século passado. Pessoalmente acho que há coisas que nunca mudam.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Kikas

As casas de alterne sao um mundo desconhecido para a maior parte das mulheres, na minha faixa etária nem nos lembramos que existem e que os nossos maridos ou companheiros as possam procurar.

Este fim de semana vi um programa em que as intervenientes eram a proprietária e trabalhadoras da Kikas, sitio muito conhecido pelos mais experientes. E fiquei rendida, a senhora com uma postura ética, profissional que nao imaginava que houvesse naquel meio. Surprendeu-me o facto de hoje em dia os homens procurarem nuitas vezes estas casas para terem atençao em vez do suposto sexo, pelo que deduzo que sexo há muito e para todos os gostos, alguém com quem falar e com disponibilidade de ouvir é que há pouco.

Gostei dos conselhos dados às mulheres, para serem criativas, procurarem o seu prórpio prazer e desinibirem-se. Acho que as mulheres da geraçao mais nova, sao muito mais abertas a sexo, até demais, mas a minha geraçao sempre procurou o amor. Secalhar fomos enganadas pela Cinderela, será que ela viveu feliz para sempre se nao se sentia desejada? Foi feliz para sempre se sentia que nao provocava tesao? Claro que o mesmo em sentido contrário, mas aqui falo pelas mulheres! 

Em conclusao, vamos lá pôr os conselhos da Kikas em prática, resignarmo-nos a aceitar aulas de quem sabe! Mas nao nos podemos esquecer, temos de ouvir e mimar porque caso contrário a Kikas e concorrentes nao se podem queixar da crise.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Traquinices

A boa disposição gera mais energia positiva e faz o tempo andar mais depressa. Mas e se somos um escape, uma brincadeira oca, infantil e sem consequência como a dos miúdos de 2/3 anos? Gera o quê?  Não podendo trazer mais nada, não há como não fugir a uma certa mágoa, pela frieza do distanciamento.  


Mas podemos proibir os putos de brincar, sem que eles nos deixem virar costas e ainda façam pior?


domingo, 11 de novembro de 2012

Quem é a oposição?

Li um texto do Ricardo Araújo Pereira, aqui, simplesmente magnifico. O humor político do Ricardo está cada vez mais aprimorado e  demonstra aos nossos competentíssimos políticos, que a oposição não está nos partidos. 

Os nossos políticos que tanto gostam de falar na televisão, que vão fazer algo mais produtivo, para que a Srª Merkel que se orgulhe de nós. Porque fingir não é bonito, e eles estão sempre a fingir que estão na oposição, quando na verdade estão à espera, à espera do novo cargo. O Sr prof. o que disse ontem com tanta convicção, hoje jura que deverá ser exactamente ao contrário. Agora desapareceu, tem sido avistado de quando em quando, para sabermos que ainda vive mesmo com a miserável reforma de que dispões. Coitada da Maria não pode  incluir bife todos os dias na ementa, tem de cozinhar mais hidratos. 

O texto do Ricardo:aqui.

Despedimento colectivo

A minha empresa vai fechar, apesar de não ter problemas financeiros ou de tesouraria. A multinacional detentora de 90% do capital, decidiu que não queria perder dinheiro em Portugal em 2013, por incrível que pareça não agradecerem a Portugal os milhões que já cá ganharam. Mal agradecidos!

Então em Abril fez-se um primeiro despedimento colectivo, mal feito por ser em cima do joelho, sem negociações e com os trabalhadores em angústia com receio de não receber o que lhes era devido. Esse receio obrigou-os a comer e a calar, a não procurarem ajuda legal, a não reclamarem todos os seus direitos. Foram claramente vitimas de bulling.

Em Outubro fomos informados que a empresa ia fechar e íamos ser alvo de despedimento colectivo  Não aprenderam nada, os advogados começaram a meter os pés pelas mãos nas primeiras cartas. Reclamámos, as segundas cartas traziam pelo menos os valores correctos, como só queremos receber, 50% não reclamou, os outros colegas foram procurar informação. Para espanto de todos as cartas estavam todas de tal forma incorrectas, que não teríamos sequer direito a subsidio de desemprego.

Terceira carta recebida, e amanhã data de saída para 70% dos colaboradores, vão ser negociado novos prazos de saída, o que implica novos valores nos montantes a liquidar. E depois para não dar muito trabalho aos senhores advogados, irá a empresa pôr por escrito o acordado. 

Ora bem, se estivéssemos noutro país isto não acontecia, penso que nem a empresa, no seu país de origem , conduzia o processo desta forma. Os trabalhadores teriam procurado cuidar dos seus direitos.

Mas estamos em Portugal, o ACT de uma determinada cidade leu uma carta e informou que estava correcta. Foi preciso ser a mesma identidade noutra cidade a informar dos erros grosseiros da referida carta. Os trabalhadores não têm apoio, o estado que vai acolher mais desempregados não se interessa por proteger empregos, por penalizar empresas que não tenham cumprido a legislação, que provavelmente tenham lesado o fisco.

Porque nós somos o bom aluno, não queimamos ou partimos nada, seguimos os brandos costumes. Mesmo quando estamos a afundar a nossa sociedade, o nosso futuro. Será que se nós os trabalhadores contratássemos um advogado caro e competente, ganhávamos alguma coisa? Ou ganhávamos só uma conta exorbitante, porque falamos de uma multinacional. Que não quer perder dinheiro, não pela sua má administração e estratégia de negócio, mas porque afirma que Portugal é caloteiro e desorganizado.

A EUROPA NO SEU MELHOR

Ir ao cinema

Depois da minha vida parar, fiquei suspensa, à espera, à espera de uma operação. Sem pensar na doença ou no pós cirurgia. Estava a ver um filme que ficou em pausa, até alguém dizer podes continuar a ver. Sem perceber que depois iria questionar-me do porquê da paragem, ou se iria  haver mais cortes ou se conseguia ver o filme até ao fim.

Foi uma espera de cinco meses, de muita angústia, ansiedade, até dor física porque a um determinado momento a ansiedade passa para o corpo, que se ressente. Se estava sol tinha medo, se chovia, podia constipar-me, se calçasse saltos podia cair, se fosse de saltos rasos podia escorregar, se beijasse podia sentir-e mal, fazer amor podia fazer ter-me outro derrame. Vivi assim cinco longos meses, não vivi ultrapassei um dia de cada vez à espera de ter ordem para entrar no bloco.

No dia 11 de Setembro a ordem estava dada, e foi um dia feliz! Por fim chegara o dia, sem medos, sem nervosismos, entrei sorridente, em paz e sem passar no depois. Sem pensar até nos outros que me rodeavam e que sofreram muito mais que eu, nesse dia.

Ao longe as primeiras palavras que ouvi, deixaram-me tranquila " Anabela, correu tudo bem". depois tudo se passou com a maior simplicidade, um dia com algumas dores, outro com menos. Mas dois meses depois, tudo passou. Só não passou o que nunca eu tinha tido: medo do futuro, consciência da minha fragilidade, a incerteza. 

Cada dia que passa falo mais na operação, na doença. Penso que foi porque tanto fugi do assunto que agora tenho de o viver. 

Ainda não aprendi a sentar de novo, recostar, pegar nas pipocas e curtir o filme. Quem sabe se já é amanhã que isso acontece.

Quando vencemos sabe bem, mas para isso temos de saborear a vitória e não questioná-la. Não é?





domingo, 28 de outubro de 2012

A emigração do séc.XXI

Os historiadores do futuro quando estudarem este fenómeno em Portugal, vão certamente fazer o seguinte retracto:

-Jovens entre os 23 e os 35 anos
-Licenciados ou técnicos especializados
-Em busca de emprego e fuga ao assalto de que são vitimas por parte do Estado Português
-Partem sem intenção nenhuma de voltar
-E levam consigo o que demorou pelo menos três décadas a construir

Como diz o outro são os mercados....